terça-feira, 23 de junho de 2015

Prefácio

Naquela tarde de maio,  tudo acontecia da mesma forma rotineira... Trabalho,  entra e sai,  conversas,  café... Seria mais um dia comum,  se nossos olhos não tivessem se cruzado através do vidro que insistia em nos separar. Apesar de te conhecer há tantos anos,  aquele me pareceu o primeiro olhar.  Uma onda de felicidade me invadiu,  um choque percorreu cada parte do meu corpo.  A sensação não era adolescente,  era algo novo,  mágico e indescritível.  Era sexta feira.  Talvez passasse,  foi o que pensei... Mas nunca estive tão enganada.

Me deixei levar... Imaginei que seria bom um flerte casual depois de tanto tempo sozinha.  Comentei com você sobre minha solidão e achei graça quando me olhou incrédulo,  como se minhas palavras fossem ao mesmo tempo um convite e um desafio. Não me importou o fato de você não acreditar em mim.  Cheguei numa fase em que isso não mais me preocupa,  além de crer que quando vale a pena,  toda a verdade se mostra de maneira natural.

Como macho alfa,  você me convidou pra sair... Como solitária constante,  aceitei,  tendo a certeza de que no dia seguinte seria fácil fugir ou acreditando que nem fosse preciso... Era sábado... Fácil de esquecer...

Foi então que você me mostrou o quanto eu estava enganada...

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